Nos últimos dias, o debate sobre a possível substituição da escala de trabalho 6×1 pela jornada de 4 dias ganhou destaque nas redes sociais e portais de notícias. Essa discussão foi impulsionada pelos resultados do primeiro teste piloto dessa nova modalidade no Brasil, que ocorreu entre janeiro e junho de 2024.

O experimento, conduzido pela 4 Day Week Brazil em parceria com organizações e pesquisadores, envolveu 21 empresas e 290 funcionários. Ao final do projeto, 19 empresas concluíram a implementação completa da jornada reduzida.

Como Funcionou o Teste Piloto?

Antes da implementação, as empresas participantes passaram por três meses de planejamento em 2023. Durante o teste, elas tinham liberdade para adaptar o modelo às suas necessidades, desde que atendessem a três critérios principais:

  • Manutenção dos salários: nenhuma redução na remuneração dos funcionários.
  • Preservação ou melhora nos resultados: produtividade e qualidade de entrega deveriam permanecer iguais ou melhores.
  • Redução de 20% na jornada semanal: garantir que o tempo de trabalho fosse efetivamente diminuído.

Resultados Impactantes

O modelo trouxe resultados expressivos em diversas áreas. Confira os principais indicadores levantados pelo estudo:

  • Produtividade e engajamento: 71,5% das empresas reportaram aumento na produtividade, enquanto 60,3% notaram maior engajamento entre os colaboradores.
  • Bem-estar dos funcionários:
    • 72,8% relataram redução na sensação de exaustão frequente.
    • Insônia caiu 49,6%, e a ansiedade semanal diminuiu 30,5%.
    • O tempo médio de sono por noite aumentou de 6,7 para 7 horas.
  • Saúde física e mental:

    • 87% dos participantes avaliaram sua saúde física como boa ou excelente.
    • 77,3% fizeram a mesma avaliação para a saúde mental.
  • Trabalho e cultura organizacional:

    • 82,2% relataram melhorias na cultura corporativa.
    • 80,7% notaram maior criatividade e inovação no ambiente de trabalho.
  • Impacto social:

    • 71,3% dos funcionários afirmaram ter mais energia para dedicar à família e aos amigos.
    • 61% destacaram uma melhor colaboração entre equipes.

Os Desafios da Transição

Embora os resultados tenham sido positivos, o período de teste não esteve isento de desafios. Segundo a empresa Vockan, o maior obstáculo foi engajar as lideranças no processo.

“Quem mais resistiu à adoção foram os C-levels, descrentes de que era possível aumentarmos a produtividade reduzindo a jornada, mas sem alterarmos remuneração e benefícios”, afirmou a direção da empresa.

Já na Alimentare, a transição demandou um esforço significativo para repensar práticas consolidadas.

“Foi difícil, em poucos meses, repensar o modo de trabalho de uma vida inteira e começar a fazer diferente. Houve um esforço conjunto para que isso desse certo”, compartilhou Margarin.

A coordenadora de Planejamento Estratégico da Alimentare, Caroline Soldi Malgarin Medeiros, destacou que o redesenho de processos, ambientes, tecnologias e formas de comunicação exigiu o engajamento de toda a equipe.

“Os resultados mostram que o esforço valeu a pena”, concluiu.”

O Que Podemos Aprender?

O piloto da jornada de trabalho de 4 dias no Brasil trouxe insights valiosos sobre o futuro do trabalho. Ao equilibrar produtividade e bem-estar, o modelo mostrou que é possível inovar sem sacrificar resultados. Agora, cabe às empresas e à sociedade avaliar como expandir essa experiência para outros setores e realidades.

Será o início de uma transformação permanente no mercado de trabalho brasileiro? O debate está apenas começando.

Fonte: sitecontabil.com.br

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